A luta contra a malária em Moçambique ganhou um reforço expressivo com a introdução e expansão gradual da vacina R21 no Programa Alargado de Vacinação (PAV), sob coordenação do Ministério da Saúde (MISAU) e alinhada com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Direccionada principalmente a crianças com idades entre os 6 e os 18 meses, esta intervenção representa uma conquista científica relevante na redução dos casos graves e da vulnerabilidade na primeira infância.
No entanto, as autoridades de saúde pública recordam com frequência que a vacina não actua sozinha. Ela integra um conjunto mais amplo de medidas preventivas que as famílias moçambicanas devem manter diariamente em suas casas e comunidades para salvaguardar a vida dos mais novos.
Uma aliada integrada às medidas tradicionais de prevenção
Para que a protecção infantil seja verdadeiramente eficaz, a vacinação deve caminhar lado a lado com os métodos já conhecidos de controlo do mosquito transmissor. Entre as principais recomendações mantidas pelo sector de saúde pública destacam-se:
- Dormir todas as noites sob rede mosquiteira: O uso consistente de redes mosquiteiras tratadas com insecticida de longa duração continua a ser uma das barreiras físicas mais eficientes contra a picada do mosquito Anopheles, especialmente durante o período nocturno.
- Eliminar águas paradas ao redor da habitação: Charcos, recipientes abertos, pneus velhos e vegetação densa junto às residências funcionam como criadouros ideais de mosquitos e devem ser saneados regularmente.
- Aceitar a pulverização intra-domiciliária: Quando as equipas de saúde pública realizam campanhas nas comunidades, a pulverização das paredes interiores das casas ajuda a interromper o ciclo de vida do vector.
- Vestuário protector ao entardecer: O uso de roupas compridas e de cores claras nos períodos do amanhecer e anoitecer reduz a exposição da pele das crianças às picadas.
Cumprir o calendário vacinal e superar dúvidas
O Programa Alargado de Vacinação tem vindo a expandir a imunização contra a malária em várias províncias do país, mobilizando brigadas nas unidades de saúde e a nível comunitário. Para que a vacina proporcione o benefício esperado, é indispensável que os pais e encarregados de educação garantam a toma de todas as doses previstas no cartão da criança.
A desinformação e o receio infundado de reacções normais da vacina podem afastar os pequenos deste escudo protector; esclarecer dúvidas directamente com técnicos de saúde é a melhor atitude para uma decisão informada.
Vigilância constante perante os primeiros sintomas
Mesmo quando a criança já recebeu doses da vacina e dorme protegida por rede mosquiteira, a vigilância familiar não deve diminuir. A malária pode manifestar-se por febre, recusa alimentar, choro persistente, vómitos, diarreia ou fraqueza. Em bebés e crianças pequenas, a evolução da doença pode ser rápida, exigindo que a intervenção médica ocorra o mais cedo possível para prevenir complicações sérias.
Em caso de febre, mal-estar ou qualquer suspeita de doença na sua família, dirija-se imediatamente à unidade sanitária mais próxima para avaliação clínica por um profissional de saúde qualificado. Nunca recorra à automedicação.






