O cancro do colo do útero representa um dos maiores desafios de saúde pública para a população feminina em Moçambique. De acordo com dados recentes partilhados pelo Programa Nacional de Controlo do Cancro do Ministério da Saúde, estima-se que surjam cerca de 5.600 novos casos anualmente no país, associados a uma elevada taxa de mortalidade que vitima aproximadamente 4.600 mulheres todos os anos. Estes números reflectem a realidade de grande parte da África subsariana, onde barreiras no acesso a exames preventivos ainda atrasam a identificação inicial das lesões.
As Metas Globais e a Resposta Nacional
Para responder a este cenário desafiador, Moçambique tem alinhado as suas estratégias com as metas da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a eliminação do cancro do colo do útero enquanto problema de saúde pública até ao ano de 2030. Esta abordagem assenta em três pilares fundamentais:
- Vacinação preventiva: Alcançar a cobertura de 90% das raparigas até aos 15 anos com a vacina contra o Papilomavírus Humano (HPV).
- Rastreio regular: Assegurar que pelo menos 70% das mulheres realizem exames de rastreio em idades recomendadas pelas normas de saúde.
- Acesso a cuidados clínicos: Garantir que 90% das mulheres identificadas com alterações ou lesões recebam o acompanhamento adequado nas unidades sanitárias.
Desde a expansão gradual da rede de unidades capacitadas e a introdução da vacinação contra o HPV no calendário vacinal nacional, o sistema de saúde moçambicano tem procurado descentralizar estes serviços para aproximá-los das comunidades locais.
Por que o Rastreio é Decisivo?
A infecção persistente por determinados tipos do vírus HPV é a principal causa do desenvolvimento de alterações nas células do colo do útero. Na fase inicial, estas lesões não manifestam sintomas e evoluem de forma muito silenciosa ao longo de vários anos. É precisamente neste período que o rastreio regular se torna determinante: através de exames simples realizados pelos profissionais de saúde nos centros de saúde, é possível detectar e monitorizar alterações celulares muito antes de se transformarem em doença avançada.
Quando as mulheres procuram os serviços apenas numa fase tardia, o impacto clínico e emocional torna-se consideravelmente mais complexo. Por essa razão, a sensibilização contínua e a desmistificação do exame ginecológico nas comunidades constituem passos cruciais para quebrar o medo e a hesitação.
Sinais de Alerta a Não Ignorar
Embora as fases iniciais possam ser assintomáticas, as autoridades de saúde recomendam atenção a determinadas manifestações no organismo:
- Perdas de sangue fora do período menstrual regular ou após relações sexuais;
- Hemorragias após a menopausa;
- Corrimento vaginal com odor ou aspecto invulgar;
- Dores pélvicas persistentes ou desconforto incomum na região lombar.
A presença destes sinais não significa necessariamente um diagnóstico grave, mas exige uma avaliação cuidadosa por parte de um profissional capacitado.
Nota informativa: A informação é o primeiro passo para o autocuidado. Perante qualquer sintoma invulgar, ou simplesmente para realizar o rastreio preventivo de rotina, procure a unidade sanitária mais próxima da sua residência e converse com um profissional de saúde qualificado.






