O nascimento de um bebé antes do tempo previsto exige uma atenção redobrada das famílias e dos serviços de saúde. Em Moçambique e em todo o mundo, a prematuridade e o baixo peso à nascença figuram entre os maiores desafios da sobrevivência neonatal. Dados de saúde pública indicam que cerca de um em cada dez recém-nascidos chega ao mundo antes das trinta e sete semanas de gestação, necessitando de suporte térmico, protecção imunológica e nutrição adequada para se desenvolver com segurança.
Para responder a essas necessidades com eficácia e humanização, o Ministério da Saúde (MISAU), em parceria com organismos internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o UNICEF, promove amplamente a adopção do Método Mãe Canguru (MMC) nas maternidades e enfermarias de neonatologia de todo o país.
O que é o Método Mãe Canguru?
O Método Mãe Canguru é um modelo de assistência ao recém-nascido prematuro ou com peso inferior a 2.500 gramas, baseado no contacto pele a pele precoce, contínuo e prolongado entre o bebé e a mãe — ou o pai e outro cuidador de referência. O bebé é colocado em posição vertical, despido apenas com fralda e touca, directamente contra o peito da mãe, envolvido por uma faixa de tecido apropriada.
Esta prática simples e de base científica complementa a tecnologia médica, oferecendo benefícios imediatos para a estabilização do recém-nascido. As evidências clínicas demonstram que o método contribui para:
- Regulação da temperatura corporal: o calor do corpo materno reduz substancialmente os episódios de hipotermia, mantendo o bebé aquecido;
- Estímulo ao aleitamento materno: a proximidade constante estimula a produção de leite e favorece a amamentação exclusiva, fornecendo defesas vitais contra infecções;
- Estabilidade respiratória e cardíaca: o contacto pele a pele ajuda a regular o ritmo cardíaco e os padrões respiratórios da criança;
- Ganho de peso e desenvolvimento: bebés em regime canguru tendem a apresentar evolução ponderal mais rápida e períodos de sono mais tranquilos;
- Redução de infecções hospitalares: ao colonizar o bebé com a flora microbiana protectora da mãe, diminui-se a vulnerabilidade a agentes infecciosos graves.
O envolvimento da família e o papel do pai
Embora leve o nome materno, o método incentiva activamente a participação dos pais e de familiares próximos. Os pais podem e devem realizar o contacto pele a pele, permitindo que a mãe descanse e fortalecendo o vínculo afectivo com o recém-nascido desde os primeiros momentos de vida. Esse apoio compartilhado reduz o stress familiar e cria uma rede sólida de suporte em casa após a alta hospitalar.
Prevenção e acompanhamento contínuo
A protecção contra complicações da prematuridade começa muito antes do parto. O cumprimento rigoroso das consultas pré-natais no centro de saúde é fundamental para identificar precocemente condições como infecções, hipertensão gestacional ou anemia, factores que aumentam a probabilidade de parto antecipado. Da mesma forma, após a saída da maternidade, o acompanhamento nas consultas de saúde infantil e pós-parto assegura a vigilância do peso, do crescimento e do calendário de vacinas.
Em caso de dúvidas sobre os cuidados com o recém-nascido, dificuldades na amamentação ou se o bebé apresentar sinais de alerta — tais como recusa alimentar, respiração rápida ou difícil, sonolência excessiva ou alterações na temperatura corporal —, procure imediatamente a unidade sanitária mais próxima ou converse com um profissional de saúde qualificado.






