A protecção e o bem-estar das crianças constituem uma prioridade fundamental para o desenvolvimento e o futuro das famílias em Moçambique. Recentemente, o Ministério da Saúde (MISAU), em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o UNICEF, lançou o Plano de Acção para a Sobrevivência Infantil 2026–2030 (PASI). Este instrumento estratégico visa coordenar acções em todo o país para acelerar a redução da mortalidade em menores de cinco anos, assegurando cuidados essenciais desde os primeiros momentos de vida.
Desafios e causas evitáveis na infância
Segundo os dados do Inquérito Demográfico e de Saúde (IDS 2022-2023), Moçambique regista uma taxa de mortalidade infanto-juvenil de cerca de 60 mortes por cada 1.000 nados vivos. As autoridades de saúde destacam que grande parte destas perdas está associada a condições tratáveis e preveníveis. Entre os principais factores que ameaçam a vida dos recém-nascidos e das crianças pequenas destacam-se:
- Complicações neonatais: dificuldades respiratórias ao nascer e problemas decorrentes da prematuridade.
- Doenças infecciosas comuns: episódios graves de malária, pneumonia e diarreias.
- Vulnerabilidade nutricional: a desnutrição infantil, que enfraquece o sistema imunitário e deixa o organismo mais exposto a infecções secundárias.
Pilares fundamentais para a protecção infantil
O reforço dos cuidados de saúde primários e o envolvimento activo das famílias nas comunidades formam a base das recomendações de saúde pública. Existem práticas preventivas com impacto comprovado que reduzem substancialmente os riscos de complicações graves:
- Consultas regulares de rotina (Criança Sadia): levar o bebé periodicamente à unidade sanitária permite monitorar o ganho de peso, a altura e os marcos de desenvolvimento físico e cognitivo.
- Imunização em dia: cumprir o calendário do Programa Alargado de Vacinação protege os mais novos contra formas graves de tuberculose, poliomielite, sarampo, tétano e outras doenças infecciosas.
- Aleitamento materno e nutrição adequada: o leite materno nos primeiros seis meses fornece anticorpos e nutrientes essenciais. A partir dessa idade, a introdução gradual de alimentos locais variados e ricos em micronutrientes fortalece o organismo.
- Prevenção da malária: o uso continuado de redes mosquiteiras tratadas com insecticida para toda a família e a procura rápida de testagem perante episódios febris evitam o agravamento da doença.
- Água segura e higiene: a lavagem correta das mãos com sabão ou cinza e o consumo de água tratada diminuem drasticamente os casos de diarreia.
Sinais de alerta que exigem atenção urgente
Os cuidadores devem estar atentos a mudanças repentinas no comportamento da criança. A presença de febre persistente, respiração rápida ou com esforço visível, recusa em mamar ou comer, vómitos frequentes, prostração extrema e diarreia abundante com sinais de desidratação exigem observação clínica imediata.
Perante qualquer dúvida sobre o desenvolvimento, vacinas em atraso ou o aparecimento de sinais de alerta no seu filho, dirija-se de imediato à unidade sanitária mais próxima para receber a orientação e o apoio de um profissional de saúde qualificado.






