A imunização continua a ser uma das medidas de saúde pública mais eficazes e acessíveis para salvar vidas e garantir um desenvolvimento saudável na infância. Em Moçambique, o Ministério da Saúde (MISAU), com o apoio de entidades internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o UNICEF, promove de forma permanente o Programa Alargado de Vacinação (PAV), assegurando a administração gratuita de vacinas essenciais em todo o território nacional. Manter o cartão de vacinas da criança em dia é um dos maiores gestos de proteção e cuidado que as famílias podem ter com os seus filhos.
O que é o Programa Alargado de Vacinação (PAV)?
O PAV foi criado com a missão fundamental de reduzir a morbilidade e a mortalidade decorrentes de doenças infecciosas que podem ser prevenidas através de imunizantes. Através de postos fixos existentes nos centros e postos de saúde, bem como por meio de brigadas móveis que alcançam povoações e zonas mais remotas, as equipas de saúde levam proteção a crianças desde as primeiras horas de vida. As vacinas ensinam o sistema imunitário da criança a defender-se contra vírus e bactérias agressivos, criando defesas sem que o corpo precise de passar pelo perigo de uma infeção grave.
Etapas e Doses Essenciais na Infância
O calendário nacional de vacinação está estruturado para conferir proteção nas fases em que o organismo da criança se encontra mais vulnerável. O acompanhamento atempado das datas marcadas no boletim de saúde infantil é indispensável para garantir imunidade duradoura:
- À nascença: Administração da vacina BCG, que protege contra as formas graves da tuberculose, e da primeira dose oral contra a poliomielite (VAP 0).
- Aos 2 meses: Início da proteção com a primeira dose da vacina Pentavalente (contra difteria, tétano, tosse convulsa, hepatite B e infecções por Haemophilus influenzae tipo b), além das primeiras doses contra a pneumonia (pneumocócica), diarreias por rotavírus e a vacina oral contra a pólio (VAP 1).
- Aos 3 e 4 meses: Continuação do esquema primário com as doses subsequentes da Pentavalente, rotavírus, pneumocócica e poliomielite, incluindo a formulação injectável inativada (IPV), essencial para o reforço seguro da imunidade contra a paralisia infantil.
- Aos 6 e 9 meses: Aos seis meses inicia-se a suplementação periódica com Vitamina A. Aos nove meses, administra-se a primeira dose contra o sarampo e a rubéola, juntamente com as doses de reforço indicadas no calendário.
- Aos 18 meses e acompanhamento continuado: Administração da segunda dose da vacina contra o sarampo e a rubéola, além de suplementações semestrais de vitamina A e desparasitação até aos cinco anos de idade.
Desafios e Cuidados Familiares
Em diversas comunidades moçambicanas, factores como a distância física até à unidade sanitária, receios infundados ou desinformação levam a atrasos vacinais. No entanto, profissionais de saúde e autoridades comunitárias reforçam que as vacinas administradas pelo serviço público são rigorosamente testadas, seguras e distribuídas sob rigorosos padrões de conservação e refrigeração. Caso uma criança perca alguma dose prevista, não é necessário reiniciar todo o esquema: deve ser levada à unidade sanitária para que as vacinas em falta sejam atualizadas através dos serviços de rotina ou das rondas de recuperação vacinal promovidas periodicamente.
Se tiver dúvidas sobre as datas do calendário de vacinação, notar doses em atraso no boletim de saúde do seu filho ou identificar sinais de mal-estar na criança, dirija-se à unidade de saúde mais próxima para receber esclarecimentos e acompanhamento por um profissional de saúde.






